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Visão de mundo (09/08/2010)



Li certa vez que na Idade Média (476 a 1453) as pessoas se movimentavam durante toda vida a incrível distância de 2,5 km. Em outras palavras, limitavam-se ao redor da aldeia.

Fiquei muito impressionado com esse dado, mas me dei conta de que, até quinze anos, eu tinha me afastado do local de nascimento cerca de 20 km. Aí percebi o quanto se ficava limitado à visão de aldeia que, com o tempo, foi se ampliando para a realidade planetária. Isto especialmente devido à facilidade da tecnologia de comunicação e da mobilidade global, eliminando fronteiras mentais e concretizando espaços universais.

É claro que tudo isso não se fez sem consequências. Pagamos alto preço por esta revolução de ruptura de fronteiras e alargamento de horizontes. De certa forma, tornamo-nos cidadãos universais e abrimos mão da identidade, perdemos referências culturais, por conta da cultura global. Passamos a consumir produtos iguais praticamente em todo mundo, impuseram-nos marcas e nos tornamos reféns de estilos e grifes.

Alargamos horizontes de vida, mas estreitamos nossas percepções, condicionando-nos a consumir o que nos torna iguais. E quem particularmente se tornou refém isso foram os jovens, porque lidam com dificuldade com as diferenças, pelo desejo de serem iguais e não excluídos do grupo. Quem aproveitou esse embalo foram as grifes que se apresentaram como marcas globais, identificadas com o sucesso, extremamente bem trabalhadas pelo marketing.

Como contraponto a tudo isso não precisa andar pilchado em outras geografias, mas nem por isso renunciar a sagrados valores da aldeia por conta das novas demandas globais. A propósito, lembro-me de frase do famoso escritor russo Tolstói: “Se queres ser universal, fala da tua aldeia”. Isto significa não ter vergonha de ser aldeão. Ou seja, orgulhar-se das origens. A mídia tem grande papel nesta virada, contemplando manifestações genuínas da cultura local.

Vejo com satisfação a incorporação de dialetos nos projetos educacionais, para que as crianças tenham orgulho da origem, aprendendo a língua dos ancestrais. Da mesma forma, merece reconhecimento o cronista da aldeia, que se torna universal a partir da visão de que é preciso preservar os aspectos de identidade de cada lugar. A perigosa tendência é achar que isto nos torna pequenos. Antes, pelo contrário, isto nos coloca na freqüência da tendência mundial que é valorizar as origens, porque se tornou cansativo ser igual globalmente.

OSVINO TOILLIER
Presidente do SINEPE/RS


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