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Dia Mundial das Missões

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

No penúltimo domingo de outubro a Igreja Católica celebra o “Dia Mundial das Missões”. Desde pequeno ouvi histórias heróicas de missionários que deixavam a pátria para anunciar o Evangelho a povos que ainda não conheciam a Jesus Cristo e ainda não eram batizados em nome de Deus Pai, Filho e Espírito Santo.

Com entusiasmo escutava a vida de famosos missionários, contada por minha irmã Dorotéia. Entre eles está São Francisco de Assis, que não temia os sultões islâmicos e lhes anunciava o Evangelho da paz e da fraternidade (paz e bem!). Francisco é hoje muito admirado pelo seu amor às criaturas, como aparece no “Cântico do Irmão Sol”.

Outro missionário que me impressionou é São Francisco Xavier. Quando vou a Paris, sempre visito a igreja de Montmartre (o Monte dos Mártires), onde Francisco Xavier se uniu a Santo Inácio de Loyola e com outros quatro companheiros, se consagraram a Deus, dando início à Companhia de Jesus.

Aos 35 anos Francisco Xavier percorreu a Índia, a Málaga, as Molucas. Costumava dizer: “Se não encontrar um barco, irei a nado”! Criou o primeiro núcleo de cristãos do Japão. Morreu aos 46 anos, à beira-mar, enquanto aguardava um barco para a China.

Há também Santa Teresinha do Menino Jesus, que nunca saiu do Carmelo de Lisieux (na França), mas costumava rezar pelos missionários e oferecia sua vida pelas missões. Foi declarada padroeira principal das missões. Pois o ardor missionário reside no íntimo mais profundo da alma.

Um teólogo amigo lembrou que “somos conclamados a sermos missionários e discípulos do senhor no ônibus, na praça, no clube, no comércio, em casa, na escola, no trabalho e em todo lugar por onde andamos e com quem convivemos. Ser cristão dentro do espaço religioso é fácil; o desafio é ser cristão no hodierno de nossa vida”.

Não podemos esquecer nossa Igreja Irmã de Sinop e Diamantino, onde nossos padres diocesanos criaram muitas paróquias e seis deles continuam nas frentes missionárias do Nortão do Mato Grosso, ao lado de nossos bispos Dom Gentil Delazari e Dom Canísio Klaus.

Neste final de semana acontece em todo mundo a COLETA para as Missões. É um modo de nos comprometermos com o anúncio do Evangelho aos povos que não conhecem a Jesus Cristo e não receberam o batismo.

Sempre lembrando que missionários devemos ser todos, cada qual em seu lugar, com seus dons e suas possibilidades.

Dom Sinésio Bohn

Bispo de Santa Cruz do Sul

15/10/09.

Os meus 75!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Quando padre novo, achei a idade de cinqüenta anos um limite razoável de vida. Trabalhei muito, dei tudo de mim a Deus, à causa da formação de novos padres e ao atendimento do povo católico. Certo dia me dei conta de que ultrapassara a faixa dos 50 e ninguém notara, nem eu!

Dia 11 de setembro último fiz 75 anos. É a idade do ancião, a 3ª idade, “a mais bela idade”!

O Direito Canônico (Cânon 401) solicita que o Bispo diocesano peça renúncia de seu ofício quando completa 75 anos: “O Bispo diocesano, que tiver completado setenta e cinco anos de idade, é solicitado a apresentar a renúncia do ofício ao Sumo Pontífice”.

O que o Papa faz com o pedido de renúncia? O mesmo Código Canônico responde com prudência: “Ponderando todas as circunstâncias, tomará providências”.

Enquanto a renúncia não for aceita, o Bispo renunciante continua no ofício. Continua Bispo Diocesano.

É importante que o próprio Bispo se prepare para um novo tempo. É o que procuro fazer. Mas é necessário que a Diocese também se prepare.

Primeiro, mantendo a unidade do Presbitério (padres e bispo unidos). Segundo, orando para que Deus ilumine o sucessor de Pedro na escolha do novo Bispo. Finalmente, gerando no povo disposição de acolher com fé e cordialidade o sucessor escolhido.

Pessoalmente, continuarei como “Bispo emérito”, isto é, uma vez ordenado, sou bispo sempre, mas sem o governo da Diocese. Pretendo trabalhar intensamente para a glória de Deus e o bem do povo. O lugar e o ministério serão decididos em sintonia com o sucessor e as instâncias diocesanas.

Meu pai, quando fez 75 anos, me disse: “Quando era jovem, trabalhei muito pela família e a comunidade, mas dediquei menos tempo à oração. Agora que estou velho me dedico mais à oração”.

Estava certo meu pai. O Apóstolo Paulo nos adverte: “Não temos aqui morada permanente, mas estamos à procura da que está para vir” (Hb 13,14). Portanto, pretendo também me dedicar mais ao ministério da espiritualidade e ao testemunho do sentido da vida.

Dom Sinésio Bohn

Bispo de Santa Cruz do Sul

24/09/09.